Foi no dia 12 de Janeiro que lançámos, aqui no blog, um concurso, que desafiava todos os que nos lêem a escrever uma história macabra, que nos despertasse o interesse e que fosse merecedora do que prometemos oferecer: um exemplar do livro “Crimes que Chocaram Portugal”.
Recebemos um total de 8 participações e, após alguma deliberação, estamos agora em condições de revelar a nossa decisão. E o(a) vencedor(a) é…

… o Danny Emmanuel da Silva de Jesus, com a história “O caso da minha rua”. Parabéns!
O Caso da Minha Rua
Capítulo 1
Estava a anoitecer e apenas o miar de um gato cortava o silêncio daquele momento. A Lua iluminava uma parte da rua, confrontando as luzes ténues dos candeeiros. Enquanto fumava na janela do meu quarto, deslumbrava o fundo da rua, imaginando como seria o dia seguinte. O silêncio nunca me transtornou, mas o momento que se seguiu foi como um terramoto que agitou todo o meu mundo. O grito arrepiante que surgiu na casa abandonada, fez disparar o bater do meu coração a um ritmo descompassado. Larguei o cigarro e não reagi. Assim que ouvi o motor de um carro, apaguei as luzes e espreitei entre as cortinas.Capítulo 2
Chamei a polícia e em menos de um ápice a confusão tinha-se instalado naquela rua pacata. Enquanto testemunhava, na carrinha um dos agentes ia relatando o sucedido: ”O corpo encontrava-se de pés e mãos atadas e preso num gancho de talho pela garganta. Queimaram o olhos da vítima com ácido”. Aquelas palavras ecoaram na minha cabeça a noite toda enquanto dormia. Na manhã seguinte já aparecia nos jornais o caso da vítima da casa abandonada.Capítulo 3
Naquela manhã, enquanto saboreava o café, fui interrompido pelo toque insistente do telemóvel, aparecendo no visor “número desconhecido”. Em menos de 15 minutos tive de me vestir e chegar à esquadra. Um polícia com cerca de 110 Kg e com migalhas de pão no bigode, tratou da recepção calorosa ao seu minúsculo gabinete com cerca de 10 m2. Queriam que eu colaborasse neste caso uma vez que vivia perto do local do crime. Explicou-me que aquele local era por norma perigoso, havendo esporadicamente problemas com toxicodependentes e prostituição, mas que nunca houvera um crime tão violento.Capítulo 4
Naquele instante, Rubert lia o jornal descansado numa esplanada em Campo Ourique e bebia o seu chá matinal. Ria com a notícia que especulava sobre o assassinato misterioso na rua mais pacata de Lisboa. Na mesa ao lado de Rubert, uns velhotes comentavam a notícia, dizendo que no tempo de Salazar nada daquilo acontecia. Rubert permanecia descontraído para quem tinha tido uma noite tão agitada. O seu crime tinha sido perfeito, mas não sabia que a sua retirada havia deixado uma pista que levaria até ele. Enquanto isso apreciava o sabor da vitória sobre o seu amigo. Tinham sido amigos de universidade e juntos vingaram no mundo laboral. Por ironia do destino, o mundo de negócios pode tornar-se perigoso…Capítulo 5
Na esquadra, um primo da vítima discutia furiosamente com o agente Fonseca. Acalmá-lo não era fácil, mas ele jurava que sabia quem tinha cometido o crime. Matheus (a vítima) quando andava na faculdade, numa saída com os amigos, tinha tido um acidente que vitimou a sua namorada. O pai dela jurou vingar-se, pois não só tinha perdido a filha, como a acusação no tribunal. As ameaças de morte eram constantes. O caso parecia quase resolvido, mas a verdade era mais desconcertante.Capitulo 6
Rubert conseguira sempre alguma vantagem na área da informática, pois conseguira ser o pioneiro na criação de soluções inovadoras. No mercado obtivera sempre uma excelente quota, no entanto, pairava no ar uma desconfiança em relação a Matheus, uma vez que estava parado há bastante tempo. Meses antes do assassínio, Matheus surpreendeu Rubert com o projecto de um Software que iria revolucionar o mercado. Movido pela ganância, Rubert tentou tirar informações acerca do Software, colocando estagiários espiões na empresa, mas a concepção do Software estava toda na cabeça de Matheus. O desespero levaram-no ao rapto e à morte prematura de Matheus, o génio informático.Capitulo 7
O pai da ex-namorada foi ilibado do caso, pois encontrava-se hospitalizado e depois de alguns dias de pesquisa no local do crime, a polícia forense descobriu uma prova no exterior da casa abandonada. Um rascunho de um relatório da empresa de Rubert tinha caído do seu bolso, durante a fuga na noite do crime. Na discriminação do capital accionista da empresa que estava no relatório constava o nome de Rubert, como sócio maioritário. A polícia guardou a prova e após análise do perfil de Rubert, descobriu que o seu passado estava ligado ao de Matheus.Capitulo 8
Pelas 16:00 da tarde, numa tarde de calor abrasador, Rubert foi interrompido numa reunião pelo agente supremo do caso de Matheus. Depois de horas de interrogatório, a história de Rubert não batia certo e de suspeito passou a assassino. Por ordem do tribunal foi sentenciado a 20 anos de prisão.Capítulo 9
Depois do caso de Matheus estar encerrado nunca mais voltei a ver o fundo da rua da mesma forma. A casa continua lá e o grito continua a ecoar na minha cabeça. Espero que nunca mais volte a acontecer o mesmo na rua mais pacata de Lisboa. A minha rua…
Por: Danny Emmanuel da Silva de Jesus
O livro será enviado dentro de dias, Danny. Parabéns, mais uma vez, conseguiste surpreender-nos!
O que acharam da história vencedora? Merecido ou não? Expressem-se à vontade, nos comentários.

Grande Senhor Emmanuel Jesus,
Isto de trabalhar num sitio com tanto sangue, abre a imaginação a qualquer um
Mas assim com tanta criatividade… nunca imaginei.
Parabéns pela excelente história.
Se eu tivesse participado, teria ganho. xD
Mas acho que o texto escolhido merece ser o vencedor. Parabéns ao escritor, a história está muito boa!
Parabéns!
Devias criar um blog… tipo “Crime disse o Danny”
consegui imaginar o grito na minha cabeça :s
tá muito fixe, parabéns
para a próxima participo e ganho eu!
hehehe.
Muito bem, muito bem…
Como estamos na era dos workshops…o Senhor Danny podia organizar uns workshops com o tema… “Aprenda a ser criativo!”
Prémio mereçedor, estás de Parabéns
beijo, Vanessa
Perdeu-se um contabilista ganhou-se um escritor
Força Emmanuel Jesus
Realmente, esta história é surpreendente!!
O Sr. Emmanuel Jesus devia abdicar do seu talento para passatempos e apostar na escrita criativa!!
Hehehe
Parabéns!!